O desafio da redação científica: pra quem você escreve?

Neste semestre o grupo de pesquisa Lab-iMetrics está trabalhando com o tema: “Cultura Científica: comunicação e avaliação”. A proposta é debater aspectos teóricos e práticos da cultura científica que envolvem as atividades de pesquisa, como leitura, produção de textos acadêmicos, buscas e consultas em fontes acadêmicas e bases de dados e dimensões da comunicação e avaliação.  

Para o desenvolvimento inicial do tema, começamos com a abordagem da temática “escrita científica”.  A primeira reunião ocorreu no dia 16 de março de 2018. Para o debate foram utilizados os textos de Machado (2004) “O desafio ético da escrita” e de Volpato (2015) “O método lógico para redação científica”.

No primeiro texto, foram apresentados os seguintes tópicos a serem discutidos: o estilo cartesiano de escrita versus a utilização de uma escrita mais natural. Ou seja, um método de escrita mais metódico contra uma escrita mais simples, que não torne a leitura enfadonha. Já no segundo texto, apontam-se os requisitos para que um artigo seja de qualidade, segundo Volpato (2015), a saber: grandes novidades; metodologia robusta; dados qualitativos e quantitativos evidentes; e, por fim, uma apresentação impecável. O objetivo do autor é apresentar uma estrutura, embora o mesmo diga o contrário, para a criação de um bom artigo. Os dois textos conversam entre si e apontam maneiras de tornar a escrita e, posteriormente, seu artigo mais atraentes.

Machado (2014) nos incita a desafiar os métodos tradicionais da escrita científica. Os modelos hoje utilizados propagam um apagamento do autor, de forma que não sabemos, ou não conseguimos identificar, as implicações que levaram ao texto final. Para a autora, é preciso que criemos através de consultas a outras obras, leituras e releituras, a nossa própria escrita. Que nos façamos presentes naquilo que estamos escrevendo.

De acordo com Volpato (2015), o que foi apontado acima sobre a escrita é um dos pontos que levam um texto a ser interessante para o leitor. Uma apresentação impecável, além de agradável, demonstra a “qualidade argumentativa do cientista” (p. 6). Para além disso, importam para o autor os aspectos estruturais do artigo, como serão apresentados o título, o resumo, a introdução, os métodos utilizados, os resultados, a discussão e a utilização de citações. Porém,  o autor baseia seus critérios de qualidade de um artigo nos padrões das publicações internacionais. Pois, segundo ele, os artigos brasileiros carecem de qualidade científica e de escrita. Apesar de ser um ótimo artigo, os membros do grupo acharam que o mesmo estava mais voltado para a área de ciências biológicas e exatas, que permitem maior flexibilidade nas publicações.

No desdobramento da reunião os membros apontaram fatores importantes, segundos os textos lidos, como: o indispensável cuidado no desenvolvimento e construção da escrita científica, a importância do posicionamento nesse tipo de escrita, a necessidade do uso adequado de citações para o enriquecimento desta, uma construção coerente e concisa, e escrever de maneira que atraia possíveis leitores. No término da reunião, o Prof. Ronaldo F. Araújo fez a seguinte pergunta para auto questionamento: “Para quem você escreve?”

 

Membros responsáveis pelo o desenrolar deste encontro:

Apresentador(a): Stephanie Menezes

Debatedor(a): Ellen C. Silva

Relator: Michael Leite

 

REFERÊNCIAS

Machado, L. D.. O desafio ético da escrita. Psicologia & Sociedade, v.16, n. especial, p.146-150, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v16n1/v16n1a12.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822004000100012

VOLPATO, G. L. O método lógico para redação científica. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, v. 9, n. 1, mar. 2015. Disponível em: <http://www.gilsonvolpato.com.br/new/multimidia/artigos/2_6bfbc0fa7d70897e18b1394d48d3c006.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2018.

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